Estudo de caso: avaliação dos danos meteorológicos em culturas cerealíferas com o uso de drone
Introdução
Para garantir a eficácia e a segurança de bioestimulantes, fertilizantes e produtos para a defesa contra adversidades, são realizados ensaios de campo ao longo de todo o ciclo de vida da cultura em questão. Nessa perspetiva, os centros de ensaios certificados devem realizar diversas análises para verificar a eficácia desses produtos e destacar as diferenças entre os diferentes produtos testados.
No caso das culturas cerealíferas destinadas a forragem, entre os diversos parâmetros a analisar estão a altura e a biomassa das parcelas individuais. Atualmente, para avaliar estes parâmetros são realizadas medições diretamente no campo: a altura de cada parcela é medida com uma fita métrica convencional, enquanto a biomassa de cada uma delas é medida cortando a vegetação e pesando-a posteriormente. Todos estes métodos são pontuais, subjetivos (dependem de quem realiza a medição) e/ou destrutivos, com custos e tempos de levantamento elevados. A utilização do drone como instrumento agronómico de investigação e monitorização pode ajudar os técnicos a avaliar de forma mais objetiva e abrangente estes e muitos outros parâmetros, como os índices de vegetação e de stress hídrico. Além disso, ao realizar vários voos ao longo do tempo, é possível criar séries temporais que evidenciem as diferenças ao longo do tempo dos diversos parâmetros biométricos e biofísicos.
Estudo de caso
Por conta de um cliente, realizámos um voo com drone sobre 60 parcelas de cevada de cerca de 10 m² cada uma. A altura de voo foi definida em 30 metros, captando simples fotografias RGB com uma sobreposição frontal e lateral das imagens de 85%.
Através da análise das imagens captadas, foi possível reconstruir os modelos digitais da parcela (DSM e DTM) nos quais eram testados diferentes produtos bioestimulantes. Desta forma, foram obtidos o volume de biomassa de cada parcela e as alturas em cada ponto (Fig.1), gerando a altura média de cada parcela em ensaio.

Fig.1: Da esquerda para a direita: mapa RGB; mapa das alturas; mapa dos volumes por parcela.
Infelizmente, alguns dias antes do levantamento, uma intempérie atingiu o campo de ensaio, causando o acamamento de várias porções do ensaio. Graças às imagens obtidas por deteção remota, foi possível calcular a percentagem de acamamento. De facto, considerando acamada toda a porção de vegetação abaixo de 60 cm, foi criado um “mapa de acamamento”, que foi posteriormente utilizado para avaliar a percentagem de cevada acamada em cada parcela do ensaio (Fig. 2).

Fig.2: Da esquerda para a direita: mapa RGB; mapa de acamamento; mapa da percentagem de acamamento por parcela.
Conclusões
Graças à utilização da deteção remota por drone e ao processamento dos dados recolhidos, foi possível reduzir o tempo necessário para as medições em campo, estimando corretamente as alturas e os volumes das parcelas individuais.
Importa salientar que, ao realizar vários levantamentos ao longo de uma época produtiva, é possível dispor de um histórico de dados, útil para avaliar e dar uma medida concreta das diferenças de desenvolvimento ao longo do tempo das parcelas individuais.
Além disso, foi possível avaliar com precisão o dano devido ao acamamento causado pelo evento meteorológico que atingiu o ensaio, uma função muito útil para demonstrar de forma numérica e objetiva a percentagem do dano, tanto para o agricultor como para as entidades responsáveis pela gestão de danos na agricultura (por exemplo, fauna selvagem).